segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Cárcere


Cárcere

Entre larvas e travas
E as extensões dos sorrisos
Fica o mundo que não buscas
E entregas de sobre aviso
Entre injustiças e medos
Ficam vilas, valas e segredos;
E a paz redunda num sonho
Artífice de tantos enredos
Celas guardando mazelas
Bandidos e heróis das vielas
E a alma, aturdida apavora
Quem anda lá se mistura
Sangue daqui e as vestes que usa
Quanto arde, dor invade...quanto chora.

Sônia C. Prazeres ©

domingo, 11 de novembro de 2007

Ave !

Ave
Os que vão morrer te saúdam
E te erguem as paredes
Da casa de luxo
Do teto que nunca terão.
Os que vão para o esquecimento
Sem nunca terem sido notados
Só sabem trabalho e migalhas de pão.
Os que vão morrer te saúdam
E limpam o chão onde passas
E lavam as roupas que vestes
E catam o lixo da porta
Que tua fartura arranjou.
Os que vão morrer te saúdam
E rezarão respeitosos
Na cova onde pousarás
E velarão os teus restos
Com o mesmo desdém
Com que os vistes também
Agora, e na hora de tua morte...
Amém.


Sônia C. Prazeres ©

sábado, 10 de novembro de 2007

Cansaço



Passa ligeiro,
Arranca a corrente
Avilta a alma
Não vê, não pressente.

Passa insolente
Arranha a face
Arranca o celular
Não usa disfarce.

Roubam o carro
Arrastam o menino
Como um trapo qualquer
Drogados sem tino

Param no ponto
Estapeiam e chutam
A moça indefesa
Sem chance de luta

Galgam palanques
Palavrório bonito,
Enganam, extorquem
Povo assustado, cansado...desiludido.

Sônia C. Prazeres