Os sons da palavra escrita podem ser suaves como a poesia e duros como a realidade que nos cerca. Creio que poesias podem ecoar e transcender, ao mesmo tempo que podem gritar e promover. Sônia C. Prazeres
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Consciência
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Cogitando
Cogitandoterça-feira, 1 de julho de 2008
Apelo
Apelo
Para que os sinos toquem nos templos interiores
Para que se perceba os delírios e as dores;
Para que a fome seja somente opção... jejum,
Para que se converta a palavra oca
Em olhares, em versos mudos de atenção.
Para fazer emergir da miséria um grande homem;
Para que mudemos na raiz, em espírito!
Para que não erijam mais palanques
No centro das praças gritantes,
Enquanto ronda a miséria pelas esquinas.
Para que não ponham preço de coca nos nossos infantes
Para que não se vendam mais tenras meninas,
Nosso grito incessante, entoado, levado,
Lavado de amor eterno com ou sem poesias
Cheio de esperança nas rimas amenas...
Para fazer crescer as almas pequenas.
Sônia C. Prazeres
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Lamento
Lamento
Indescritível lamento
Na falta de um bom argumento
A miséria segue e ecoa.
Some-se a isso a alma humana
Que tudo absorve e re-clama
Passa o tempo
Segue o lamento
Falta de amor-investimento...
E o vazio ecoa!!!
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Poesia Vexada
Poesia Vexada
Uma poesia do avesso.
Batendo nas portas
do que desmereço.
Incontida, atrevida,
Fincada, sulcada,
Descolorida e trincada.
Uma poesia sem lírios,
Sem quadras,
Lirismo atirado às calçadas
Bêbado, trôpego,
Sem nome, com fome
e de versos e estrofes,
carrega diversos - a prole.
Uma poesia desconexa,
perplexa...vexada...
Sem tempo de beleza
Perturbada...
Vivendo por tudo e por nada.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Autofagia
Sônia C. Prazeres
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Pejo
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Vontade

Queria andar pelas ruas, sem tempo.
Ser aquela senhora que passa, que entra
e talvez, alguém cumprimenta:
-Bom dia!
Queria ser ela sem nome,
sem que soubessem onde vou, o que faço.
Queria acertar meu passo
com qualquer solidão companheira.
De repente, queria mudar de nome
nada explicar ou dever;
queria a benção do anonimato
e o sobrenome guardado, gravado no peito
pra ninguém ver.
Queria despregar laços, embaraços de conviver.
Ermitã?
Não. Isso não queria.
Só ser a mulher que passa
a gente olha e saúda:
-Bom dia!
Sônia C. Prazeres
terça-feira, 11 de março de 2008
Mendicidade
Nas linhas traçadas
nas mãos descarnadas
que estendem os homens
no rés das calçadas,
não passam estradas
futuro ou ventura.
Noite, vento e trovoada,
ir adiante sem quem se importe.
No caminho um desalinho
e posto - topar com a morte.
Sussurra o povo dividido
entre a “dor” necessária e o alívio:
-nossa! Esse teve sorte.
Sônia C. Prazeres
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Restauro
RestauroFundo do poço
ferida, mágoa latente.
Dor lancinante imiscuída
noutros olhos, noutros braços...
nos laços que formam a gente.
Fundo do poço que traz
a medida da morte,
mas mantém aberta a cova
donde o espírito se ergue
acorda, se esforça
cuida da chaga, ávido de vida
e olhando a abertura acima,
vendo o céu, limite infindo,
recomeça a escalada...a subida;
Não há fim...tudo é saída...
tudo começo...tudo vida.
Sônia C. Prazeres
sábado, 8 de dezembro de 2007
Apelo

Para que a fome seja somente opção... jejum,
Em olhares, em versos mudos de atenção.
Para que mudemos na raiz, em espírito!
Para que não erijam mais palanques
Enquanto ronda a miséria pelas esquinas.
Para que não ponham preço de coca nos nossos infantes
Para que não se vendam mais tenras meninas,
Lavado de amor eterno com ou sem poesias
Cheio de esperança nas rimas amenas...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Luto
LutoEstou de Luto
Com os olhos inchados
de ver tanto fardo pesado
tanto fato marcando a ferro
tanto dia amargado.
Estou plantada e de luto
De ver crianças perdidas
De ver tantos jovens drogados
Entregues à morte buscando vida
Trilhando caminho trocado.
Estou de peito calado
Por tanta dor, tanta raiva
De ver o humano humilhado
Ajoelhado implorando
Clamando o que é de direito
E o poder desdenhando
...Cruel desrespeito.
Estou de luto diante da miséria
Diante das vitrines...
Cobiças latentes de tantas
Desnecessidades...
Luto diante da mão que me estendem
Do carro que querem olhar
Do menino que rouba a carteira
Do mundo sem eira nem beira
Diante do espelho que grita...
Que cobra...
Diante do próximo passo
Que se desdobra em abrolhos
Onde tão pouco luto...
E se derrama esse luto
Através dos meus olhos.
Sônia C. Prazeres
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Motivos
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Quando

Quando outro vem...
Mais um metrô carregado de gente
Mais um caminhão cheio de gado...
Mais um avião acima, de repente,
Quando outro vem...
Mais um ônibus lotado
Mais um tropeço nas filas do mercado
Mais um débito no rombo bancário.
Quando outro vem...
Mais um motim no meio presidiário
Mais um festim - homenagem vazia
Mais um complô de político des-armado,
Pouso os olhos cansados
No que calo e deveria gritar,
No que ralo, falo e deveria calar
No que era vida, entretanto,
Vive a virar desencanto.
Sônia C. Prazeres
sábado, 17 de novembro de 2007
Repara
Repara
Põe os olhos no menino
Que corre e se desvencilha
Olha bem! Parece uma trilha
Um caminho que se avizinha
Põe os olhos na menina
Deposita tuas armas,
E vê se não te fascina
A infância que ainda guardas.
Matreiro, fútil, suarento
Risadas ecoam felizes
Vigor, alegria, contentamento!
Pulsa vida nestas matrizes.
É a sorte sondando o terreno
Entra nele com teu abraço... Vês?
Já traz dentro dele o adulto
Pra te entregar outros braços.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Roncou de fome
Seca
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Contador de Histórias
Contador de Histórias
Veio num dia escuro, daqueles que dão tristeza Encontrou inseguros olhares baixados por trás da mesa Nos pratos água e farinha; nem alegria, nem norte. Mas veio falar de vida de mundo modificado Emprestou mil esperanças contando o que tem encontrado. Veio dizendo que viu gente triste acalentada Gente pobre bem cuidada e fome passando longe. Viu crianças sorridentes de brilho no olhar contente Vendendo saúde aos montes e aprendendo de tudo que há; Que viu irrigadas terras onde a seca castigava Que não tinham mais enchentes, que foi terminada a miséria Ninguém mais se maltratava, eles tinham que acreditar. E ali, a platéia muda boquiaberta e estarrecida Mal segurava a saliva que lhe brotava na boca. Gosto doce esse de vida de direitos aproveitados Respeitados pelos homens, não por lei, mas por amor. Dizia o moço que tinham que ter coragem, Que não cansassem da espera porque tudo vinha chegando Ali, na mesma viagem, por meio de que ele viera; O comboio vinha atrás. Contou que correu na frente Trazendo a notícia depressa no afã de vê-los contentes. Platéia de olhares tristonhos que engole a saliva e sonha Sorri agora entre dentes e começa a acreditar; "É que sonho assumido, sonhado com veracidade Alguém falou que de fato acaba virando verdade." E agora os rostos marcados insistem desajeitados, Pedem mais para alimentar, no peito, a chama o calor Aplaudem e quase imploram: -Repete moço, repete! Fala outra vez, contador! Sônia C. Prazeres ©







